domingo, 26 de julho de 2009
Palavras Gastas
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Hoje sei que nada de ti ficou...
Hoje sei que não és tu do outro lado da porta, hoje sei que não foste tu que tentaste entrar e trazer a felicidade contigo; contudo sei também que não foste o causador das minhas lágrimas,
hoje penso... que fizeste? O que foste na minha vida? Não te posso agradecer um sorriso, nem culpar por uma lágrima. Não sei o que dizer da tua passagem. Nada de novo entrou contigo,
hoje sei que passaste, uma passagem demorada mas apenas uma passagem,
hoje sei que nada de ti ficou...
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